1. Descrição do Problema e Escopo
O desalinhamento da correia transportadora é um problema operacional crítico que pode levar a paradas não programadas, desgaste prematuro de componentes, derramamento de material e riscos de segurança significativos. Este guia aborda o diagnóstico sistemático de desalinhamentos em sistemas de correias transportadoras industriais, focando nas causas raiz provenientes de carregamento do material, emendas, alinhamento de polias e tensão da correia. É aplicável a transportadores de pequeno, médio e grande porte utilizados em indústrias como mineração, cimento, siderurgia, agrícola e processamento de materiais a granel.
Classificação da Severidade:
- Crítico: Desalinhamento severo que causa danos imediatos à correia (bordas raspando na estrutura), risco iminente de fogo devido ao atrito, ou derramamento maciço de material que pode parar a produção. Exige intervenção imediata.
- Major: Desalinhamento persistente que causa desgaste acelerado de rolos, estrutura do transportador ou bordas da correia, com derramamento moderado de material. Requer correção planejada e urgente.
- Minor: Desalinhamento intermitente ou leve que não causa danos imediatos, mas indica uma condição subjacente que pode se agravar. Requer monitoramento e ajuste durante a próxima parada programada.
2. Precauções de Segurança
AVISO DE SEGURANÇA CRÍTICO: Antes de iniciar qualquer inspeção ou trabalho na correia transportadora, é absolutamente essencial garantir que o equipamento esteja desenergizado, bloqueado e etiquetado (LOTO – Lockout/Tagout), conforme a NR-10 e NR-12. A falha em seguir este procedimento pode resultar em ferimentos graves ou fatais devido ao movimento inesperado da correia ou componentes.
Energia Armazenada: Correias tensionadas podem armazenar energia considerável. Polias e rolos podem mover-se por inércia. Nunca tente realinhar uma correia em movimento ou com a máquina energizada.
Equipamento de Proteção Individual (EPI): Utilize sempre óculos de segurança, capacete, luvas de proteção, protetor auditivo (se aplicável), sapatos de segurança com biqueira de aço e vestuário adequado que não possa ser puxado por partes móveis.
Superfícies Escorregadias: Material derramado pode criar superfícies escorregadias. Tenha cautela ao caminhar ao redor do transportador.
3. Ferramentas de Diagnóstico Necessárias
Abaixo, uma tabela detalhando as ferramentas essenciais para um diagnóstico preciso do desalinhamento da correia.
| Ferramenta | Especificação/Modelo Recomendado | Faixa de Medição | Propósito no Diagnóstico |
|---|---|---|---|
| Trena/Fita Métrica | Aço, Classe II (ABNT NBR ISO 14253-1), 5m ou 10m | 0 a 10m (com precisão de ±1 mm) | Medição de distâncias, esquadro, alinhamento lateral de rolos e polias, verificação de largura da correia. |
| Nível a Laser Rotativo ou Linha de Centro a Laser | Precisão < ±0.5 mm/10m, com tripé e receptor | Até 50m | Estabelecimento de linha de centro para alinhamento longitudinal de polias e estrutura do transportador. |
| Medidor de Tensão de Correias (Tensiômetro) | Mecânico ou Eletrônico (ultrassônico), com função de frequência/força | 50 a 1500 N (ou correspondente em frequência) | Verificação da tensão da correia transportadora (conforme especificação do fabricante da correia/equipamento). |
| Pistola Estroboscópica | Faixa de 30 a 30.000 RPM, com ajuste de fase | N/A | Análise do comportamento da correia em movimento (para observar desalinhamentos dinâmicos sem toque). |
| Medidor de Espessura (Ultrasônico) | Precisão ±0.01 mm, faixa de 1.0 a 300.0 mm | 1.0 a 300.0 mm | Avaliação da uniformidade da espessura da correia e emendas. |
| Termômetro Infravermelho | Faixa -30°C a 600°C, emissividade ajustável | -30°C a 600°C (precisão de ±2°C ou 2%) | Identificação de pontos de aquecimento por atrito (bordas da correia, rolos travados, polias desalinhadas). |
| Chaves de Torque (Torquímetro) | Modelos de 1/2″ e 3/4″, faixas de 50-300 Nm e 100-700 Nm | 50 a 700 Nm | Ajuste e aperto de parafusos de fixação de rolos e estruturas com torque especificado. |
| Calibradores de Folga (Blades) | Conjunto de lâminas de 0.05 mm a 1.00 mm | 0.05 mm a 1.00 mm | Verificação de folgas e paralelismo em polias e rolos. |
4. Checklist de Avaliação Inicial
Antes de iniciar o diagnóstico detalhado, preencha esta lista de verificação para coletar informações cruciais sobre as condições operacionais e o histórico do equipamento.
| Item de Verificação | Observação/Registro | Relevância para o Diagnóstico |
|---|---|---|
| Condições Operacionais Atuais | Velocidade da correia (m/s), taxa de carregamento (ton/h), tipo de material transportado, umidade do material. | Flutuações podem indicar problemas de carregamento ou tensão inadequada. |
| Histórico de Alarmes e Falhas | Registros de desalinhamentos anteriores, paradas de emergência, troca de componentes (rolos, polias, correia, emendas). | Pode apontar para problemas recorrentes ou falhas de componentes específicos. |
| Mudanças Recentes no Sistema | Reparos, ajustes, trocas de rolos, emendas novas, alterações no ponto de carregamento, mudanças na especificação do material. | Muitos desalinhamentos são causados por intervenções recentes mal executadas. |
| Padrão do Desalinhamento | A correia desalinha sempre para o mesmo lado? Em qual seção (carregamento, retorno, descarga)? É contínuo ou intermitente? | Ajuda a localizar a região do problema e identificar a causa raiz (ex: desalinhamento para um lado = problema de alinhamento; desalinhamento em uma seção = problema localizado). |
| Desgaste Visível da Correia/Componentes | Bordas da correia desgastadas, rolos travados ou com rolamentos danificados, acúmulo de material na estrutura ou rolos. | Indica onde o atrito está ocorrendo e a causa pode ser um rolo defeituoso ou acúmulo de material. |
| Condições Ambientais | Temperatura ambiente, presença de poeira excessiva, umidade, vento. | Pode afetar o comportamento da correia, acúmulo de material ou desempenho dos rolos. |
5. Fluxograma de Diagnóstico Sistemático
Este fluxograma orienta o técnico através de uma sequência lógica de verificações para isolar a causa raiz do desalinhamento da correia. A sequência deve ser rigorosamente seguida para evitar diagnósticos incorretos e retrabalho.
- OBSERVAR O PADRÃO DE DESALINHAMENTO (COM TRANSPORTADOR EM MOVIMENTO E SOB CARGA, À DISTÂNCIA SEGURA):
- Se a correia desalinha uniformemente para um lado ao longo de todo o comprimento:
-
Verificar o Alinhamento da Estrutura/Pistas:
- Medir o esquadro da estrutura do transportador e o paralelismo entre as vigas laterais.
- Se houver desalinhamento estrutural: Provável causa: Deformação da estrutura ou erro de montagem. Ir para a Seção 7.3 (Alinhamento de Polias) e 8.3 (Procedimentos de Alinhamento).
- Se a estrutura estiver alinhada: Ir para o próximo passo.
-
Verificar Alinhamento das Polias de Acionamento e Retorno:
- Realizar medição de esquadro e paralelismo das polias principais em relação à linha de centro do transportador. Usar trena e nível a laser.
- Se as polias estiverem desalinhadas: Provável causa: Montagem incorreta ou base da polia deformada. Ir para a Seção 7.3 (Alinhamento de Polias) e 8.3 (Procedimentos de Alinhamento).
- Se as polias estiverem alinhadas: Ir para o próximo passo.
-
Verificar Tensão da Correia:
- Utilizar tensiômetro para medir a tensão na correia (seguindo as especificações do fabricante).
- Se a tensão estiver abaixo do especificado: Provável causa: Tensão insuficiente. Ir para a Seção 7.4 (Tensão da Correia) e 8.4 (Procedimentos de Ajuste de Tensão).
- Se a tensão estiver acima do especificado: Provável causa: Tensão excessiva. Ir para a Seção 7.4 (Tensão da Correia) e 8.4 (Procedimentos de Ajuste de Tensão).
- Se a tensão estiver correta: Ir para o próximo passo.
-
- Se a correia desalinha em uma seção específica (carregamento, retorno, descarga):
-
Verificar Acúmulo de Material:
- Inspecionar visualmente acúmulo de material nos rolos de retorno, rolos de carga, polias ou estrutura.
- Se houver acúmulo de material: Provável causa: Limpeza deficiente ou defletores/raspadores ineficazes. Ir para a Seção 7.1 (Carregamento do Material) e 8.1 (Procedimentos de Carregamento e Limpeza).
- Se não houver acúmulo de material significativo: Ir para o próximo passo.
-
Verificar Condição dos Rolos (Carga e Retorno):
- Com o transportador LOTO, girar manualmente cada rolo. Verificar giro livre, rolamentos travados, rolos empenados ou excêntricos. Usar termômetro infravermelho para verificar pontos quentes em rolamentos travados.
- Se rolos estiverem travados/danificados: Provável causa: Rolamentos falhos, rolos empenados, acúmulo de material na carcaça do rolo. Ir para a Seção 7.3 (Alinhamento de Polias) e 8.3 (Procedimentos de Alinhamento, incluindo troca de rolos).
- Se rolos estiverem operacionais: Ir para o próximo passo.
-
Verificar Alinhamento dos Rolos e Pistas de Carga:
- Medir o esquadro dos rolos em relação à linha de centro do transportador e o paralelismo entre as pistas de carga.
- Se rolos/pistas estiverem desalinhados: Provável causa: Montagem incorreta, impacto ou desgaste. Ir para a Seção 7.3 (Alinhamento de Polias) e 8.3 (Procedimentos de Alinhamento).
- Se rolos/pistas estiverem alinhados: Ir para o próximo passo.
-
- Se a correia “serpenteia” ou tem desalinhamento intermitente/em zig-zag:
-
Verificar Condição e Alinhamento das Emendas da Correia:
- Inspecionar visualmente as emendas. Verificar deformações, espessura irregular (com medidor de espessura ultrasônico), cortes, rasgões ou emendas não esquadrejadas.
- Se emendas estiverem danificadas/irregulares: Provável causa: Emenda mal executada, falha da emenda. Ir para a Seção 7.2 (Splicing/Emendas) e 8.2 (Procedimentos de Emenda).
- Se emendas estiverem em bom estado: Ir para o próximo passo.
-
Verificar Alinhamento da Correia Vazia (sem carga):
- Operar o transportador sem material e observar o comportamento da correia.
- Se o desalinhamento persistir vazio: Provável causa: Problemas intrínsecos à correia (fabricação, envelhecimento) ou desalinhamento estrutural/polias. Retornar à Seção 5.1 e seguir os passos de verificação de estrutura/polias/tensão.
- Se o desalinhamento cessar vazio e ocorrer apenas com carga: Provável causa: Problema de carregamento ou instabilidade da correia sob carga. Ir para a Seção 7.1 (Carregamento do Material) e 8.1 (Procedimentos de Carregamento).
-
- Se a correia desalinha uniformemente para um lado ao longo de todo o comprimento:
6. Matriz de Falha-Causa
Esta tabela apresenta as causas prováveis de desalinhamento, ranqueadas por probabilidade, juntamente com os testes de diagnóstico e resultados esperados.
| Sintoma Principal | Causas Prováveis (Probabilidade) | Teste de Diagnóstico | Resultado Esperado (Confirmação da Causa) |
|---|---|---|---|
| Correia desalinhando para um lado continuamente em todo o transportador | 1. Polia de acionamento/retorno desalinhada (Alta) 2. Estrutura do transportador desalinhada/fora de esquadro (Média-Alta) 3. Tensão da correia inadequada (Média) 4. Correia com curvatura lateral permanente (Média-Baixa) |
1. Medição de esquadro e paralelismo das polias com nível a laser. 2. Medição de esquadro da estrutura e nivelamento das vigas. 3. Medição da tensão da correia com tensiômetro. 4. Inspeção visual da correia fora do transportador ou durante a operação lenta. |
1. Polia com desalinhamento angular > 1 mm/m ou lateral > 5 mm. 2. Estrutura fora de esquadro > 3 mm/m ou diferença de nível > 10 mm. 3. Tensão fora da faixa recomendada pelo fabricante (ex: ±10% do valor nominal). 4. Curvatura lateral visível, permanente e não corrigível por rolos de alinhamento. |
| Correia desalinhando apenas na seção de carregamento | 1. Carregamento excêntrico/assimétrico do material (Alta) 2. Pista de carregamento desnivelada ou rolos desalinhados (Média-Alta) 3. Acúmulo de material nos rolos ou estrutura (Média) 4. Impacto excessivo na pista de carregamento (Baixa) |
1. Observação visual do fluxo de material no ponto de carregamento. 2. Medição do nivelamento e esquadro dos rolos e pistas de carga com trena. 3. Inspeção visual e limpeza de rolos e estrutura. 4. Inspeção de deformações na estrutura da pista de carga. |
1. Material caindo consistentemente em um lado da correia. 2. Diferença de altura entre rolos ou desalinhamento angular > 2 mm. 3. Material compactado nos rolos de carga ou na saia do carregador. 4. Estrutura da pista de carga visivelmente danificada/deformada. |
| Correia desalinhando na seção de retorno | 1. Acúmulo de material nos rolos de retorno (Alta) 2. Rolos de retorno travados ou excêntricos (Média-Alta) 3. Rolos de retorno desalinhados (Média) 4. Correia com emenda irregular ou danificada (Média) |
1. Inspeção visual e limpeza dos rolos de retorno e da parte inferior da correia. 2. Girar manualmente os rolos de retorno para verificar giro livre; usar termômetro infravermelho. 3. Medição de esquadro dos rolos de retorno. 4. Inspeção visual e medição de espessura da emenda com medidor ultrassônico. |
1. Material aderido aos rolos de retorno ou na face interna da correia. 2. Rolos não girando livremente, rolamentos quentes (> 60°C). 3. Rolos fora de esquadro > 2 mm. 4. Emenda com espessura variável (> 2 mm), rasgada ou desalinhada. |
| Correia “serpenteando” ou com desalinhamento intermitente | 1. Emenda da correia mal feita ou danificada (Alta) 2. Tensão da correia inadequada (Média-Alta) 3. Correia com memória de curvatura ou deformação permanente (Média) 4. Rolos de alinhamento atuando de forma agressiva/travada (Baixa) |
1. Inspeção visual detalhada da emenda e medição da espessura. 2. Medição da tensão da correia. 3. Inspeção visual da correia vazia e sob carga. 4. Inspeção visual dos rolos de alinhamento, verificação de giro livre e lubrificação. |
1. Emenda irregular, desalinhada, com diferença de espessura ou danos visíveis. 2. Tensão fora da faixa especificada. 3. Correia com ondulações ou áreas mais rígidas, independentemente da carga. 4. Rolos de alinhamento travados, corroídos ou com ajuste muito sensível. |
7. Análise da Causa Raiz para Cada Falha
Compreender o porquê de cada falha é essencial para uma correção duradoura.
7.1. Problemas de Carregamento do Material
Explicação: O carregamento inadequado do material sobre a correia é uma das causas mais comuns de desalinhamento. Se o material é descarregado de forma excêntrica (mais para um lado do que para o outro) ou desalinhado em relação à linha de centro da correia, ele cria uma força desigual. Essa força empurra a correia para o lado com menos carga ou para fora da linha de centro de aplicação, iniciando o desalinhamento. Além disso, acúmulo de material fino ou úmido nas laterais ou na parte inferior da correia pode alterar o perfil do rolo, criando uma superfície irregular que guia a correia para fora do centro.
Como Confirmar: Observação visual do ponto de carregamento com o transportador operando sob carga. Verifique se o material cai de forma centralizada e uniforme. Inspecione os rolos de carga e as saias do carregador para acúmulo de material. Utilize uma trena para verificar a distância das saias ao centro da correia e seu paralelismo.
Danos se Não Resolvido: Desgaste acelerado das bordas da correia, danos à estrutura de suporte, derramamento excessivo de material (resultando em perdas de produto, custos de limpeza e riscos de segurança), danos aos rolos de carga e rolamentos devido à carga desigual e atrito lateral.
7.2. Problemas com Splicing (Emendas da Correia)
Explicação: A emenda é o ponto mais vulnerável da correia. Uma emenda mal executada, seja mecânica ou vulcanizada, pode apresentar diferenças na espessura, irregularidades na largura, desalinhamento (não está em esquadro com as bordas da correia) ou ser excessivamente rígida em comparação com o restante da correia. Essas irregularidades criam pontos de tensão desiguais e forçam a correia a desviar à medida que a emenda passa pelas polias e rolos, resultando em desalinhamento tipo “serpenteamento”. Com o tempo, emendas podem degradar-se, rasgar ou descolar, exacerbando o problema.
Como Confirmar: Inspeção visual detalhada da emenda da correia. Utilizar medidor de espessura ultrassônico para verificar a uniformidade da espessura da emenda em toda a sua largura. Verificar o esquadro da emenda em relação às bordas da correia com uma trena e um esquadro de precisão. Observar o comportamento da emenda ao passar pelos rolos e polias com o transportador em operação lenta (após LOTO e reenergização controlada).
Danos se Não Resolvido: Rasgos na correia, abertura da emenda (resultando em falha catastrófica do transportador), desgaste severo das bordas da correia, danos às polias e rolos devido ao impacto ou atrito da emenda irregular, paradas de produção prolongadas para reparo ou substituição da correia.
7.3. Alinhamento de Polias e Rolos
Explicação: O alinhamento incorreto de polias (acionamento, retorno, esticador) e rolos (carga, impacto, retorno) é uma das causas mais fundamentais e persistentes de desalinhamento. Polias que não estão paralelas umas às outras ou não estão em esquadro com a linha de centro do transportador forçam a correia a se mover para o lado de menor tensão. Da mesma forma, rolos de carga ou retorno que não estão perpendiculares à direção do movimento da correia, ou que estão desnivelados, criam um efeito direcional que desvia a correia de seu curso central. Estruturas do transportador desalinhadas ou torcidas também contribuem para este problema, pois servem como base para o alinhamento dos componentes.
Como Confirmar: Utilizar nível a laser para estabelecer uma linha de centro precisa ao longo do transportador e verificar o esquadro e paralelismo das polias principais e rolos em relação a esta linha. Medir o nivelamento e o esquadro de cada rolo de carga e retorno. Verifique a base da polia e a estrutura do transportador para deformações ou empenamentos utilizando trena e nível bolha de precisão.
Danos se Não Resolvido: Desgaste prematuro e desigual da correia (principalmente bordas), danos a rolamentos de polias e rolos (devido a cargas axiais e radiais não balanceadas), danos à estrutura do transportador, alto consumo de energia devido ao atrito, falha da correia, paradas não programadas e custos elevados de manutenção e substituição de componentes.
7.4. Tensão da Correia
Explicação: A tensão da correia é crítica para a sua estabilidade. Uma tensão insuficiente causa deslizamento na polia de acionamento, resultando em perda de tração e movimento irregular da correia. Em casos de carregamento, uma correia com tensão baixa pode afundar entre os rolos, causando desalinhamento devido à distribuição irregular da carga. Por outro lado, tensão excessiva estressa a correia e seus componentes (rolamentos, estrutura), pode causar alongamento permanente da correia, falhas prematuras da emenda e rolos, e também desalinhamento devido a maior rigidez e dificuldade de centralização da correia sobre os rolos.
Como Confirmar: Medir a tensão da correia utilizando um tensiômetro apropriado (mecânico ou ultrassônico). Compare o valor obtido com as especificações do fabricante da correia e do transportador. Verifique o sistema de tensionamento (contra-peso, fuso, hidráulico) quanto a movimentos livres e ajuste adequado.
Danos se Não Resolvido: Deslizamento excessivo da correia nas polias (gerando calor e desgaste na correia e polia), alongamento e falha prematura da correia e emendas, danos a rolamentos da polia e rolos de retorno/carga, alto consumo de energia, desalinhamento persistente, e risco de falha estrutural do sistema de tensionamento.
8. Procedimentos de Resolução Passo a Passo
Os procedimentos devem ser executados apenas após a identificação clara da causa raiz e com o transportador devidamente LOTO. Sempre verifique o alinhamento após cada ajuste.
8.1. Ajustes de Carregamento e Limpeza
- SEGURANÇA: LOTO do Transportador.
- Limpeza de Acúmulo: Remover todo o material acumulado nos rolos de carga, rolos de retorno, polias e estrutura do transportador, especialmente sob as saias do carregador.
- Ajuste das Saias do Carregador:
- Verificar a distância das saias à correia: Manter uma folga mínima de 5-10 mm em cada lado.
- Verificar o paralelismo das saias em relação às bordas da correia usando uma trena. Ajustar para garantir que o material caia centralizado.
- Ajuste da Posição do Alimentador: Se possível, ajustar a posição do alimentador ou do chute de descarga para garantir que o fluxo de material seja centralizado na correia.
- Verificação da Pista de Carregamento: Inspecionar visualmente e com trena se os rolos de impacto estão nivelados e se a cama de impacto está uniforme.
- Verificação Pós-Ajuste: Remover LOTO, energizar e operar o transportador vazio e depois com carga, observando o comportamento da correia. Repetir ajustes conforme necessário.
8.2. Reparo e Substituição de Emendas
- SEGURANÇA: LOTO do Transportador.
- Identificação do Problema: Se a emenda estiver irregular (espessura, largura, esquadro), deformada, rasgada ou descolada, ela precisará de reparo ou substituição.
- Reparo de Emenda Vulcanizada: Se a falha for pequena (descolamento parcial, rachadura), pode-se tentar um reparo a frio ou a quente (requer equipe especializada e equipamentos específicos de vulcanização, seguindo ABNT NBR 6678).
- Substituição de Emenda Mecânica:
- Remover a emenda danificada.
- Preparar as extremidades da correia: Cortar a correia em esquadro (perpendicularmente às bordas) com uma tolerância máxima de ±1 mm em relação ao centro da correia.
- Instalar a nova emenda mecânica (grampos, presilhas) seguindo rigorosamente as instruções do fabricante. Garantir que a emenda esteja alinhada e tensionada uniformemente.
- Verificação Pós-Reparo: Remover LOTO, energizar e operar o transportador lentamente e observar a emenda passando pelos rolos e polias. Em seguida, operar com velocidade normal e carga.
8.3. Procedimentos de Alinhamento de Polias e Rolos
- SEGURANÇA: LOTO do Transportador.
- Limpeza: Assegurar que todas as polias e rolos estejam limpos e sem acúmulo de material.
- Alinhamento das Polias Principais (Acionamento, Retorno, Esticador):
CUIDADO: Polias pesadas requerem equipamentos de içamento e pessoal treinado.- Estabelecer uma linha de centro de referência para o transportador utilizando o nível a laser.
- Verificar o paralelismo e o esquadro das polias em relação à linha de centro e entre si. O desalinhamento angular máximo tolerável é de 1 mm por metro de largura da polia.
- Ajustar os mancais das polias (apertar ou afrouxar os parafusos de fixação) até que o alinhamento seja atingido. Utilizar chaves de torque para garantir o aperto correto dos parafusos de fixação dos mancais conforme especificação do fabricante.
- Alinhamento dos Rolos de Carga e Retorno:
- Verificar o esquadro dos rolos em relação à linha de centro do transportador (perpendicularidade). A tolerância máxima de desalinhamento é de ±2 mm em 1 metro de comprimento do rolo.
- Verificar o nivelamento dos rolos (diferença de altura entre as extremidades). A tolerância máxima é de ±1 mm em 1 metro de comprimento do rolo.
- Ajustar os suportes dos rolos, se ajustáveis, ou substituir suportes deformados.
- Verificar se os rolos giram livremente. Lubrificar ou substituir rolamentos travados/danificados.
- Alinhamento dos Rolos de Alinhamento (Guias):
CUIDADO: Rolos de alinhamento devem ser ajustados gradualmente.- Assegurar que os rolos de alinhamento não estejam travados e giram livremente.
- Ajustar os rolos de alinhamento de forma gradual e simétrica. Geralmente, o ajuste é feito para inclinar o rolo para dentro da direção em que a correia está desalinhando.
- Após cada pequeno ajuste, remover LOTO e operar o transportador para observar o efeito.
- Verificação da Estrutura: Se houver suspeita de desalinhamento estrutural, medir o esquadro da estrutura e o nivelamento das vigas de suporte. Deformações superiores a 5 mm em 5 metros requerem correção estrutural por equipe especializada.
- Verificação Pós-Ajuste: Remover LOTO, energizar e operar o transportador vazio e depois com carga, observando o comportamento da correia. Realizar ajustes finos nos rolos de alinhamento se necessário.
8.4. Procedimentos de Ajuste da Tensão da Correia
- SEGURANÇA: LOTO do Transportador.
- Identificação do Tipo de Tensionamento: Determinar se o sistema é de contrapeso, fuso (parafuso) ou hidráulico.
- Medição da Tensão Atual: Utilizar tensiômetro para obter a leitura da tensão atual da correia.
- Ajuste da Tensão:
CUIDADO: Aumentar a tensão gradualmente para evitar estresse excessivo na correia e componentes.- Sistema de Contrapeso: Adicionar ou remover pesos do sistema de contrapeso até atingir a tensão especificada pelo fabricante. Certificar-se de que os pesos se movem livremente.
- Sistema de Fuso (Parafuso): Apertar ou afrouxar os parafusos de tensionamento, de forma igual em ambos os lados, para mover a polia esticadora e ajustar a tensão. Medir o avanço do fuso em ambos os lados para garantir uniformidade.
- Sistema Hidráulico: Ajustar a pressão no sistema hidráulico para atingir a tensão desejada. Verificar o manômetro.
- Verificação da Centralização da Polia Esticadora: Após ajustar a tensão, verificar se a polia esticadora (take-up) permanece centralizada. Se desalinhada, ajustar o tensionamento de forma desigual nos fusos ou cilindros para centralizá-la.
- Medição da Tensão Pós-Ajuste: Medir a tensão novamente para confirmar que está dentro da faixa recomendada (geralmente ±10% do valor nominal).
- Verificação Pós-Ajuste: Remover LOTO, energizar e operar o transportador vazio e depois com carga, observando o comportamento da correia.
9. Medidas Preventivas
Implementar as seguintes medidas preventivas para reduzir a recorrência de desalinhamentos.
| Causa Raiz | Estratégia de Prevenção | Método de Monitoramento | Intervalo Recomendado |
|---|---|---|---|
| Carregamento do Material | Instalação e manutenção de chutes e saias de carregamento adequados; uso de rolos de impacto de qualidade; manutenção de raspadores de correia eficientes. | Inspeção visual do ponto de carregamento; verificação da condição dos raspadores e limpeza dos rolos. | Diário (visual), Semanal (raspadores), Mensal (rolos de impacto). |
| Emendas da Correia | Uso de materiais de emenda de alta qualidade (conforme ABNT NBR 15591); execução de emendas por técnicos certificados (ABNT NBR 6678); inspeção regular das emendas. | Inspeção visual da emenda para sinais de desgaste ou descolamento; uso de medidor de espessura ultrasônico. | Mensal ou a cada 500 horas de operação. |
| Alinhamento de Polias e Rolos | Verificação de alinhamento após cada manutenção; uso de suportes de rolos robustos e ajustáveis; manutenção preventiva dos rolamentos dos rolos. | Verificação de alinhamento com laser; inspeção de giro livre dos rolos; medição de temperatura dos rolamentos com termômetro IR. | Trimestral (alinhamento a laser), Mensal (giro livre), Semanal (temperatura IR). |
| Tensão da Correia | Ajuste da tensão conforme especificação do fabricante; manutenção regular do sistema de tensionamento; uso de tensiômetros calibrados. | Medição da tensão da correia com tensiômetro; inspeção do movimento livre do sistema de tensionamento. | Mensal ou após cada grande intervenção na correia. |
| Acúmulo de Material | Instalação de raspadores primários e secundários eficazes; limpeza regular de rolos e estrutura do transportador; consideração de sistemas de limpeza automática. | Inspeção visual de acúmulo de material; verificação da condição dos raspadores. | Diário (visual), Semanal (raspadores), Mensal (limpeza geral). |
10. Peças de Reposição e Componentes
A disponibilidade de peças de reposição de qualidade é fundamental para uma manutenção eficiente. Consulte o e-catalog da UNITEC-D GmbH para adquirir os componentes necessários.
| Descrição da Peça | Especificação Típica | Quando Substituir | Categoria UNITEC |
|---|---|---|---|
| Correia Transportadora | Material (ex: borracha, PVC), Largura (ex: 800 mm), Cintas (ex: 3 lonas EP), Cobertura (ex: 5+2 mm), Resistência (ex: 800 N/mm). Conforme ABNT NBR 11724. | Rasgos significativos, delaminação, furos, alongamento excessivo (>3%), fadiga da carcaça, desgaste das bordas que impede alinhamento. | Correias Industriais |
| Rolos de Carga/Retorno | Diâmetro (ex: 127 mm), Comprimento (ex: 900 mm), Material (ex: aço, polietileno), Tipo de Rolamento (ex: 6205 2RS). | Rolamento travado (identificado por calor > 60°C ou ruído), rolo empenado (>2 mm de excentricidade), desgaste excessivo da superfície, carcaça danificada. | Componentes de Transportadores |
| Rolamentos para Rolos/Polias | Tipo (ex: autocompensador de rolos 22210 K), Diâmetro interno/externo, Largura, Classe de precisão (ABNT NBR 15552). | Ruído excessivo, vibração, aquecimento (> 60°C), folga axial/radial excessiva, sinais de corrosão ou falta de lubrificação. | Rolamentos Industriais |
| Raspadores de Correia | Tipo (primário, secundário), Material da lâmina (ex: poliuretano, tungstênio), Largura, Sistema de tensão (mola, pneumático). | Desgaste da lâmina que compromete a eficiência de limpeza, lâmina quebrada, perda de tensão no sistema. | Acessórios para Correias |
| Emendas Mecânicas | Tipo (ex: grampos, presilhas), Material (ex: aço galvanizado), Largura da correia compatível, Resistência à tração. | Sinais de fadiga, corrosão, grampos soltos ou quebrados, descolamento da correia na emenda. | Emendas e Ferramentas |
| Polias (Acionamento, Retorno, Esticador) | Diâmetro (ex: 400 mm), Largura (ex: 850 mm), Tipo de revestimento (ex: borracha, cerâmica), Tipo de Eixo. | Desgaste excessivo do revestimento, desbalanceamento, eixos empenados, trincas na carcaça. | Polias e Tambores |
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11. Referências
- ABNT NBR 11724: Correias transportadoras de borracha – Requisitos.
- ABNT NBR 6678: Correias transportadoras de borracha – Emendas.
- ABNT NBR ISO 14253-1: Especificação geométrica do produto (EGP) – Inspeção por medição de peças e equipamentos de medição – Parte 1: Regras para avaliação da conformidade ou não conformidade com a especificação.
- NR-10: Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade.
- NR-12: Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos.
- Manuais de Operação e Manutenção do Fabricante Original do Transportador.
- Manual Técnico de Correias Transportadoras (CEMA – Conveyor Equipment Manufacturers Association).